segunda-feira, 27 de junho de 2011

A História de Lily Braun

Composição: Edu Lobo/Chico Buarque

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Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues

Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris

E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê

Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz


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Obs.: Ainda tem gente que diz ser de Maria Gadu...

sábado, 18 de junho de 2011

O silêncio.

Não é daqueles que te deixa sem graça, que te faz abaixar o rosto e sorrir.
É um silêncio sem sorrisos, vazio, do tipo que está longe.
Um silêncio que deprecia.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sociedade dos deletáveis

[...]"Somos confrontados pelo moço que loucamente invade uma escola e mata mais de dez alunos, ferindo gravemente outros tantos, para ao final se suicidar.
Por que ele fez isso? O que o motivou? Com qual intenção? Era psicótico? Fiél de religiões bárbaras? Possuído pelo demo? Desorientado sexual? Drogado? Revoltado pela adoção? 
Por queê? 
Por queê?
E toca-se a perscrutar seu passado, seus escritos, conversar com familiares, vizinhos e conhecidos, refazer seus percursos, tudo na tentativa de encontrar supostos elos lógicos que justifiquem um ato tão cruel. Pululam profetas do passado lutando levianamente pela audiência televisiva.
Cá entre nós - paremos um pouquinho - será que alguém seriamente pensa que existiria uma lógica que explicaria essa atrocidade? Uma determinação genética ou cultural assassina? Não me parece crível. O que me é mais convincente é que a sociedade, de tão assustada diante do seu próprio horror, tenta inventar respostas que justifiquem o injustificável, que a assegure que aquela pessoa é diferente de todas as outras, enfim, que não tem nada a ver comigo nem com você."[...]

Revista Psique nº65
Trecho tirado de "A vida é Honra" de Jorge Forbes, psicanalista e médico psiquiatra. Analista Membro da Escola Brasileira de Psicanálise (A.M.E.). Preside o IPLA - Instituto da Psicanálise Lacaniana e dirige a Clínica de Psicanálise do Centro do Genoma Humano da USP.
www.jorgesforbes.com.br

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Transcendente e abstrato


Engraçado como o tempo e as dores mudam a gente, nos acrescentam experiências e diminuem em algo que não sabemos exatamente o que é, mas que sentimos falta.
Lembro que, da janela, na praia ou no carro, olhava para a lua e me perguntava se alguém a estava olhando, se meu alguém estava olhando pra ela no mesmo momento.
E escrevia desabafos de amor que talvez nunca mais possam ser escritos, sentimento de busca que já passou, era da idade, dá saudade.
Antes o ferimento não existia, agora certas coisas já não tem o mesmo valor.
A realidade destrói... talvez a bela utopia.