[...]"Somos confrontados pelo moço que loucamente invade uma escola e mata mais de dez alunos, ferindo gravemente outros tantos, para ao final se suicidar.
Por que ele fez isso? O que o motivou? Com qual intenção? Era psicótico? Fiél de religiões bárbaras? Possuído pelo demo? Desorientado sexual? Drogado? Revoltado pela adoção?
Por queê?
Por queê?
E toca-se a perscrutar seu passado, seus escritos, conversar com familiares, vizinhos e conhecidos, refazer seus percursos, tudo na tentativa de encontrar supostos elos lógicos que justifiquem um ato tão cruel. Pululam profetas do passado lutando levianamente pela audiência televisiva.
E toca-se a perscrutar seu passado, seus escritos, conversar com familiares, vizinhos e conhecidos, refazer seus percursos, tudo na tentativa de encontrar supostos elos lógicos que justifiquem um ato tão cruel. Pululam profetas do passado lutando levianamente pela audiência televisiva.
Cá entre nós - paremos um pouquinho - será que alguém seriamente pensa que existiria uma lógica que explicaria essa atrocidade? Uma determinação genética ou cultural assassina? Não me parece crível. O que me é mais convincente é que a sociedade, de tão assustada diante do seu próprio horror, tenta inventar respostas que justifiquem o injustificável, que a assegure que aquela pessoa é diferente de todas as outras, enfim, que não tem nada a ver comigo nem com você."[...]
Revista Psique nº65
Trecho tirado de "A vida é Honra" de Jorge Forbes, psicanalista e médico psiquiatra. Analista Membro da Escola Brasileira de Psicanálise (A.M.E.). Preside o IPLA - Instituto da Psicanálise Lacaniana e dirige a Clínica de Psicanálise do Centro do Genoma Humano da USP.www.jorgesforbes.com.br
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